Aviso importante: se músicas anti-cristãs ou satanistas te ofendem não leia essa resenha, ela possui conteúdo altamente ofensivo a cristãos.

Os catarinenses do Diabolical Funeral de Joinville fazem um Raw Black Metal com proposta suja, que abusa de anti-cristianismo e agressividade em suas temáticas e tem uma sonoridade ríspida e oriunda do início dos anos 90, quando o gênero ainda era cru, com uma produção propositalmente abafada e desconexa para dar ainda mais enfase ao ataque visceral contra a igreja que a banda se propôs a fazer.

CAPA

3

Titulo: Queime a Igreja

Ano de Lançamento: 2015

Gênero: Black Metal

O disco começa com a ríspida Tiros na Face de Cristo que apresenta um instrumental constante e sem muitas mudanças de ritmo com uma letra de cunho agressivo e um vocal que pode incomodar seriamente alguns pela mixagem da música, que o deixa meio abafado e agudo, mesmo se tratando de um puro vocal rasgado que em certos momentos passa para o gutural. A faixa seguinte se chama Sangue Anal e tem um instrumental notavelmente técnico e veloz que agrega muito à intensidade do som dos caras, onde também é apresentado um vocal mais tolerante que o da música anterior e uma faixa de pura reverência a Satã, acompanhada de um marcante refrão. Seu único grande pecado é a falta de um caprichado solo pra dar um tom mais infernal a música em sua segunda metade. A terceira faixa se chama Massacre Infernal e abrevia a sua sonoridade a um instrumental simples e um vocal extremamente rasgado que novamente faz reverência ao Deus das Trevas demonstrando menos inspiração que nas duas faixas anteriores mas apresentando elementos oriundos de outras bandas do gênero que agradam. A Honra da Batalha apresenta uma produção bem crua que viria a ser mais explorada no seguinte trabalho da banda, com vocal falado em uma excelente letra e um bom instrumental que apesar de sua simplicidade cativa aos fãs do gênero nessa direta faixa que tem um ar diferente do restante do disco por seu total comprometimento com um diabólico monólogo que serve de vocal para a mesma, surpreendendo com um delicado trecho de violão em seu fim. Funeral Diabólico tem novamente um vocal praticamente completamente falado com uma ótima letra, profana e violenta, que transmite um respeitável ar fúnebre a sua sonoridade.

A faixa seguinte se chama A Igreja de Satanás é uma música inegavelmente intensa que opta por uma abordagem mais técnica que as faixas anteriores e novamente um vocal monologado que apresenta uma bestial letra que transmite terror e violência em sua essência. Sofra é uma boa música com instrumental apresentando influências de Doom Metal, vocais cheios de rispidez que passam ódio em sua proposta composta de versos bem construídos e uma ótima performance vocal. Queime a Igreja, a faixa título, apresenta um instrumental cadenciado de forte impacto em seu início que apesar de sua breve duração marca, rapidamente passando para um veloz e infernal instrumental acompanhado de uma imposição vocal brutal que varia entre vociferações extremamente rasgadas e profundos guturais com um ótimo refrão e letra bem acima da média da banda, tendo seu maior destaque na espetacular performance do baterista James Andresen. A Morte dos Santos é a música de letra mais ofensiva do disco e se seu objetivo era chocar, conseguiu. O instrumental é decente e ela representa o elo mais fraco do disco por uma letra menos inspirada que o usual, apresentando uma boa performance vocal que infelizmente não consegue salvar a faixa, mas um solo que chega muito perto disto. Puro Ódio é a segunda melhor música do disco, perdendo unicamente para a faixa título e é composta por um instrumental que demonstra expertise e uma produção bem acima da média do disco, com o vocal em destaque na mixagem em uma profana e agressiva letra falada onde prevalece a brutalidade que casa perfeitamente com o tempestuoso instrumental e ainda por cima um ótimo refrão que mostra o quão viscerais eles conseguem soar quando fazem uso de guturais. Armagedom mostra um amadurecimento musical em uma faixa um pouco desconexa e bagunçada mas que agrada pela excelente performance vocal que demonstra um bom senso de composição que a difere do restante das faixas do disco por uma letra menos abrupta e violenta que as restantes apresentando um grau de profanidade consideravelmente menor que o de costume da banda em uma sonoridade cru, com boa produção e mixagem bem feita, tendo como seu grande trunfo um excelente refrão.

Destaques: Tiros na Face de Cristo, Sangue Anal, Sofra, Queime a Igreja, Puro Ódio e Armagedom.

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