O Aerosmith passou por tempos difíceis entre o fim dos anos 70 e metade dos anos 80, onde as músicas era completamente sem inspiração e até mesmo sem vontade de fazer Rock, os tempos passaram e com Permanent Vacation (1987) a banda voltou a ter prestígio e sucesso, apostando em músicas mais chiclete e de fácil assimilação pra tentar arrastar ainda mais público pras lojas de discos e shows. O gênero ali escolhido, o popular Hair Metal, se afunilou, fazendo com que a banda nos anos 90 tentasse se aproximar mais de suas raízes Blues, e é nelas que esse vindouro álbum que dividiu águas em 1997 está.

nine lives

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Título: Nine Lives

Ano de Lançamento: 1997

Gêneros: Hard Rock, Blues Rock, Heavy Metal

1. Nine Lives: começando com um grito visceral de Steven Tyler essa faixa de Heavy Metal fala sobre se apaixonar e tem ritmo acelerado, instrumental caprichado, versos muito bem construídos, um bridge interessante e um ótimo refrão que diverge completamente do restante do ritmo da música. Steven Tyler abusa de drives e vocais agudos na música em uma vibe bem pra cima e calcada no Blues, com gritos fenomenais acompanhando o solo próximo ao fim do som. Um excelente começo. Nota: 8.5/10

2. Falling in Love (Is Hard on the Knees): uma típica faixa de Hard Rock da banda com muito Blues e falando sobre amor, é uma música lenta com versos bonitos e um refrão cativante. O uso de drives aqui não é frequente e os versos tem uma levada calma e amena enquanto o refrão opta por um caminho mais Pop, sendo seguido após o tempo por uma sessão carismática de frases que termina em um super grito acompanhado do ótimo solo de Joe Perry, descendo mais ainda de tom após isso como abertura pros últimos refrões agora com letra diferente. Nota: 7/10

3. Hole In My Soul: uma faixa romântica que sempre antes dos versos tem uma sessão falada seguida de um pré-verso cativante, versos apaixonantes e melancólicos e muita afinação de Steven Tyler levando a um refrão poderoso com a famigerada e dramática frase “a um buraco na minha alma que está me matando para sempre”. A música toda tem um tom dramático e é carregada por uma melodia Blues matadora que acerta direto no coração com letras carregadas de melancolia e beleza. É difícil pra quem não é acostumado com o estilo do Aerosmith definir o que é refrão e o que é verso porque essa música se repete muito, mas ainda sim é a melhor faixa de todo o disco e termina com lindas vocalizações de Steven Tyler que dão ênfase ao clima da música. Nota: 9/10

4. Taste of India: a música mais experimental do disco tem uma abordagem interessante com forte influência de música indiana, já começando com uma cativante sessão de versos. O tema aqui é abordado é pra variar, amor, mas de forma diferente das músicas anteriores, com menos drama e mais vivacidade. Os  versos tem boa estrutura e são bem cantados mas o destaque fica mesmo para o animado refrão que é completamente chiclete e tem um tom muito animado com Steven Tyler abusando de drives e notas altas. O solo é inusitado e diferente e é acompanhado de vocalizações de Steven Tyler, culminando em um trecho quase acapella do segundo refrão da música. Ela termina com uma sessão instrumental com beat box de fundo por Steven Tyler além de vários gritos. Nota: 8/10

5. Full Circle: a música mais emocional do disco fala sobre vencer na vida, começa com um instrumental blueseiro calmo e com um excelente grito de Steven Tyler e logo entram os versos otimistas e positivos com uma ótima frase, “o amor é o amor refletido”. A letra é inteira carinhosa e culmina em um refrão grudento e cheio de carisma com a bela letra “tempo, não o deixe passar, levante o seu copo em um drinque ao passado, todos nós vamos viajar, não irrite o céu, há um inferno para pagarmos e o ciclo se completa”, passando a certo ponto para uma seção intensa de versos no meio da música com uma boa mensagem para passar, partindo para um solo forte e muito bem feito com vocalizações de Steven Tyler e chegando a um épico fim com o refrão sendo cantado enquanto Steven Tyler diz “o ciclo se completo ao fundo” terminando em um trecho acapella acompanhado apenas de gaita. Nota: 8.5/10

6. Something’s Gotta Give: após uma entrada estranha entra a música que abusa do uso de gaita e tem versos animados que falam sobre ceder as necessidades e tentações com muita descontração em versos bem feitos e um refrão aquém da qualidade da música que tem como único atrativo os incríveis trechos de gaita que seguem cada refrão. Uma quebra rítmica próxima ao fim mostra versos diferentes e gritados que terminam em mais uma repetição do refrão terminando com um duo de gaita e guitarra. O problema principal dessa música é a instabilidade dela que em momentos empolga mas decepciona no refrão que devia ser o clímax da música, resultando em uma faixa apenas decente. Nota: 6.5/10

7. Ain’t That a Bitch: com uma entrada estilosa e uma letra sobre fim de relacionamentos mal recebidos é uma música com versos melancólicos e um gritado e vicioso refrão onde Steven Tyler abusa de seus poderosos drives. Os versos são enjoativos e não dão muita ênfase a melodia blueseira da música e o refrão é fraco. A música é salva por um bom solo de bom gosto que é seguido por mais e mais refrões gritados com um final cheio de vocalizações e gritos que não me convence. Nota: 5/10

8. The Farm: a música mais estranha do disco começa com um grito visceral e logo cai em versos chatos com uma letra insignificante sobre fazendas (!?) com um refrão pior ainda, completamente sem brilho próprio e mostrando seus únicos trunfos no breve mas bom solo e na performance vocal de Steven Tyler. Não há muito o que falar sobre ela, é apenas uma faixa ruim. Nota: 4.5/5

9. Crash: uma música de Punk? Ok, vamos lá, “Crash” é a música mais intensa do trabalho com letra sobre ficar louco por alguém,  é bagunçada, com versos decentes e um refrão mediano mas um solo técnico e veloz que salva a música que beira o abismo se tratando de qualidade. Também não há muito a falar sobre essa faixa então eu vou direto pra anota. Nota: 6/10

10. Kiss Your Past Goodbye: uma linda balada com versos sobre viver o presente e deixar o passado de lado, tem lindos versos muito inspirados, um refrão poderoso e uma fortíssima performance vocal de Steven Tyler que abusa dos gritos e notas altas, culminando em um solo simples mas eficaz que abre espaço pra uma parte mais calma da música similar a sua entrada terminando em grande estilo com uma mistura entre versos e refrão finalizando com um grito poderoso. De fato parece mais U2 que Aerosmith, mas desde quando isso é um defeito? Nota: 8.5/10

11. Pink: a música de maior sucesso do single começa com um certeiro solo de gaita seguido de letras desconexas que exaltam a cor pink e eu não sei explicar bem a mensagem que quer passar. Talvez não seja nenhuma, vai saber? Fato é que esses versos são cativantes e o animado refrão tem muita força e é um exito melodicamente. Ela conta com um excelente solo acompanhado de poderosos e agudos e finaliza de forma modesta com a última vez que o refrão é cantado. É notável também que essa música ganhou um descontraído videoclipe com mudanças corporais dos membros da banda de forma hilária dando um ar ainda mais despojado para a música. Nota: 8/10

12. Attitude Adjustment: “Attitude Adjustment” tem versos mal construídos falando sobre deixar de ser ingênuo e aprender a tomar atitudes na vida mas de forma ruim, com versos sem brilho e refrões sem carisma tendo como único trunfo solos bem colocados e muito bem feitos. Se a música não se esforçasse tanto pra ser experimental e optasse por uma abordagem mais Hard Rock provaavelmente seria bem melhor. Nota: 5/10

13. Fallen Angels: começando com belas vocalizações de Steven Tyler, a música logo ganha identidade como um Hard Rock emocional que se inicia com vários gritos de Steven Tyler, passando para versos melancólicos que falam sobre pessoas que entram na nossa vida só para nos prejudicar – essa é a minha interpretação da letra, ela é aberta a múltiplas – e tem um bridge típico do Aerosmith dos anos 80 com refrão cativante e muito belo com notas muitos altas de Steven Tyler e muitos drives, passando para um solo competente que abre para os últimos refrões da música precedidos por uma sessão de versos amenos, e passando para a parte mais intensa da música, cheia de vocalizações e com refrão mais acentuado terminando com um belo instrumental. Nota: 8/10

Destaques: “Nine Lives”, “Hole In My Soul”, “Full Circle” e “Kiss Your Past Goodbye”.

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