O Helloween após 18 anos do lançamento de seus álbuns homônimos Keeper of the Seven Keys decidiu arriscar lançando um disco que fechava a saga e assustou muita gente. Todo mundo esperava um completo desastre sonoro que não agradaria aos ouvidos nem aos corações dos fãs da banda e quando o disco finalmente foi lançado o mundo parou pra ouvi-lo. Para a surpresa de todos o resultado foi muito acima do esperado. Com muitas notas altas, drives, passagens épicas e animação a banda consagrou um grande álbum em sua carreira que se tornou rapidamente um clássico contemporâneo aceito por quase todos com um saldo final extremamente positivo.

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Título: Keeper of the Seven Keys: The Legacy

Ano de Lançamento: 2005

Gêneros: Power Metal, Heavy Metal

1. The King for a 1000 Years: a faixa de abertura tem uma entrada falada que abre espaço para uma música muito interessante. A proposta aqui é seguir a música “Keeper of the Seven Keys” do disco de 1988 com uma feliz faixa de Power Metal com letra calcada no épico e até religioso colocando o guardião das sete chaves como um ser acima dos humanos, com versos cantados de forma agressiva por Andi Deris, com um bridge bem cantado e cativante e um simplório refrão que esbanja maestria no controle vocal. Pro segundo verso temos a entrada de Andi Deris na música de forma mais agressiva e gritada com nítida influência de The Time of the Oath (1996). O solo é veloz e muito bem feito abrindo passagem para uma alegre seção onde frases são repetidas de forma descontraída apesar da letra séria, chegando a um pico onde Andi Deris abaixa o tom e aposta em algo mais centrado na obscuridade para logo após voltar aos versos animados. Nota: 9.5/10

2. The Invisible Man: começando com uma excelente linha de baixo a música logo ganha peso com um riff cadenciado muito forte, versos pronunciados falando sobre o místico homem invisível de forma meio soturna inicialmente com um vocal melódico e grave de Andi Deris que em poucos momentos começa a abusar de vocal operático com notas muito agudas e bem feitas seguindo para um bridge pouco proeminente e que de certa forma prejudica a música que logo é salva pelo excelente refrão com mais referências a folclórica criatura. Os solos são bem colocados e entram em um momento bom da faixa em que Andi Deris desce muito o tom vocal para algo mais melódico e audacioso acompanhado de uma excelente solo de lead guitar épico com grande ênfase de fundo dos teclados, partindo para o refrão pelas últimas vezes, agora com melodia diferente, mais gritada e operática com interseções de curtos solos e uma altíssima nota de Andi Deris para fechar a música com chave de ouro. Nota: 8.5/10

3. Born on Judgement Day: uma veloz faixa de Power Metal com um operático vocal de Andi Deris quase absento de drives, coisa inusitada vinda do vocalista, apresentando uma letra pouco séria que fala sobre os dilemas de nascer no dia do Julgamento Final, é mais uma faixa com toque religioso que de forma descontraída apresenta um bom bridge que infelizmente é um auto-plágio de uma faixa que honestamente eu não me lembro qual mas que faz parte de algum disco da banda dos anos 90. É aquele típico caso de ouvir algo e na hora pensar, “eu já ouvi isso antes”. O refrão é de fato original e tem bastante carisma em sua divertida melodia. Os solos da segunda metade da música são habilidosos e casam bem com a faixa em um de seus momentos mais progressivos contando inclusive com breves solos de bateria e baixo, outra coisa inusitada na era Andi Deris da banda. Mas há um defeito em tantos solos, eles acabam se prolongando demais e se tornando cansativos fazendo da segunda parte da música um porre. Nota: 7.5/10

4. Pleasure Drone: uma das músicas mais descontraídas do trabalho, “Pleasure Drone” tem uma letra engraçadinha e animada que fala sobre sexo mas sem muito sentido, usando mais sugestões do que frases diretas e propriamente ditas. Os versos são upbeat e agradáveis e o refrão esbanja carisma com uma das performances vocais mais habilidosas da carreira de Andi Deris que aqui alcança notas altíssimas no refrão, inclusive no último deles, a mantendo por vários segundos. O solo varia o tempo todo entre o cadenciado e o veloz e é está um pouco abaixo em qualidade em relação ao resto da faixa, exceto pela excelente quebra rítmica antes da entrada dos refrões finais. Nota: 8/5

5. Mrs. God: o single do disco é uma música com letra engraçada que trata Deus como uma mulher e tem tom feminista porém sarcástico, muito aberto a interpretação, tirando sarro de tal possibilidade. Os versos são divertidos e muito variáveis com um performance vocal contida de Andi Deris. O refrão é até bem divertido, com acusações a “Madame Deus” e a música progride com um tom divertido durante toda a sua duração, com um solo cheio de quebras rítmicas propositalmente descontraídas e um fim básico. Nota: 7.5/5

6. Silent Rain: uma das faixas mais velozes da carreira da banda tem uma letra de tom novamente religioso, dessa vez aparentemente direcionada ao Guardião das Sete Chaves em uma música descompromissada com a seriedade em versos bem construídos com uma ótima performance vocal de Andi Deris que novamente surpreende ao não usar drives e optar por uma abordagem mais operática de sua versátil voz, culminando em refrões gritados e afinados que terminam com uma queda de tom após o animado solo muito similar ao de “Eagle Fly Free” pra terminar ainda mais gritado de poderoso que anteriormente em tom alegre com uma longa nota alta de Deris. Nota: 8/10

7. Occasion Avenue: tirando sarro das faixas da era Kiske da banda com muito bom humor, começa a segunda melhor música do disco, que abre com um vocal muito contido de Andi Deris logo passando pra versos sombrios que se alternam com um coral feminino. A primeira sessão da música é praticamente por inteiro dominada por esses vocais contidos e explode em um bridge épico e um refrão extremamente agudo que fica alternando com as notas altas e o dizer ;”Occasion Avenue”. A música ganha velocidade após o primeiro refrão com um breve solo seguido de uma seção com os incríveis vocais de Deris seguindo a risca as quebras rítmicas da música em tom animado e descompromissado seguido de uma intercessão que leva ao riff principal de baixo da música que logo começa a ser acompanhado pelos riffs de guitarra no mesmo ritmo, tendo uma brusca quebra pra entrada dos solos da música. Após os solos entra uma seção muito sombria com vocal soturno de clima geral obscuro com letra focada em especies de acusações de cunho político, partindo pra uma parte marchada que repete o bridge da música de forma muito mais contida e afinada e de tom muito épico, terminando a música em grande estilo com breves versos, um breve bridge e o refrão repetido pelas últimas vezes. A única coisa que me incomoda nessa música é a quantidade de vezes que a breve frase “Occasion Avenue” é repetida durante toda a música. Nota: 9/10

8. Light the Universe: com participação da bela Candice Night (Blackmore’s Night) a balada do disco tem belos versos alternados sobre um menino pobre sonhador e a morte com tom muito melancólico e emocional mostrando o lado mais delicado de Andi Deris, acompanhado de um belo refrão cantado por ambos em uma proposta simples mas eficaz que quebra os paradigmas de que Helloween é só Power Metal. O solo é virtuoso e inspirado mas curto demais e abre espaço para o fim da música que termina da mesma forma que começou. Nota: 7/10

9. Do You Know What You Are Fighting For?: uma interessante música de Hard Rock com entrada instrumental forte, letra sobre as dúvidas de sobre o que lutamos em nossa vida em meio a tanta alienação e controle externo, tem versos cativantes e um excelente refrão que reforça a abordagem Hard Rock da música passando para uma sessão na metade da música cheia de quebras rítmicas com um solo visceral e uma dos melhores seções vocais da carreira de Andi Deris abusando de nas notas altas, com um dos gritos mais altos que Andi Deris já fez terminando a música. Nota: 8.5/10

10. Come Alive: começando com sons de fliperama, a música logo inicia riffs idênticos aos sons do começo da faixa, passando para versos que falam sobre individualidade e se expor, com versos bem construídos, um refrão cativante e que fica repetindo o nome da música, caindo após algum tempo pra uma sessão mais contida que abre para a parte mais intensa da música após o curto solo. E a música continua aumentando de intensidade até seu fim. Nota: 8.5/10

11. Shade in the Shadow: com um início que lembra até Deep Purple a faixa logo mostra ao que veio como um vigoroso Speed Metal com versos sobre saber tudo da vida alheia sem ela mesmo saber em versos amenos, um refrão extravagante e uma quebra que leva a uma seção diferente da música que serve como um pós refrão e só é repetido duas vezes durante toda a música. Nota: 8/10

12. Get It Up: uma faixa positiva sobre levantar, sacudir a poeira e botar pra foder, com instrumental alegre, tem versos velozes e bem feitos com uma boa performance vocal de Andi Deris usando um pouco de drive, coisa quase inexistente nesse disco e um refrão que apesar de simples faz seu trabalho agregando melodia e peso a música, após algum tempo seguido por dois fortíssimos solos que abusam da diversão característica da banda pra apresentar melodias divertidas e ricas que abrem para o último e mais intenso refrão. Nota: 7/10

13. My Life for One More Day: uma tradicional faixa de Power Metal com instrumental excelente com grande uso de drives falando sobre sobrevivência em ritmo acelerado, inspirado bridge e refrão competente, ambos abusando de melodias belas, principalmente no refrão, onde a força da faixa toma frente com uma impactante abordagem rica em habilidade da parte de todos da banda. A performance de Andi Deris nos refrões é especialmente marcante, contando também com um solo cadenciado de extremo bom gosto e outros dois mais velozes e vigorosos que fecham o disco com a qualidade em alta. Nota: 7.5/5

Destaques: “The King for a 1000 Years”, “The Invisible Man”, “Pleasure Drone”, “Occasion Avenue”, “Do You Know What You Are Fighting For?” e “Come Alive”.

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