Em 1983 Tony Iommi bêbado encontrava em um bar Ian Gillan em um estado não muito diferente. Conversa vai, conversa vem, e idéias começaram a aparecer, até que chega a pergunta, “Ei, vamos fazer um álbum juntos?”. O resultado  é o trabalho mais divisor de águas da história do Black Sabbath, com idolatria de uns pela originalidade e a inusitada junção e asco de outros pelo fato de ser um álbum difuso e confuso, com performances peculiares e uma produção péssima. Veja de qual lado eu estou nessa resenha.

born again

3

Título: Born Again

Ano de Lançamento: 1983

Gêneros: Heavy Metal, Hard Rock

1. Trashed: começando direta com um ótimo riff e excelência de Geezer Butler no baixo, a música começo com alguns gritos de Ian Gillan que logo passa para versos que beiram o Thrash Metal, a letra fala sobre… ok, ou ela fala sobre carros e mulheres como “Highway Star” do Deep Purple ou ela tem uma forma muita suja de falar sobre outra coisa. Mas vamos partir do princípio carros e mulheres. É uma letra escrita de forma tão complexa que chega a ser confusa e por copiar um pouquinho essa proposta de “Highway Star” eu vou considerar um plágio sem intenção. Mas a performance vocal matadora de Ian Gillan e o refrão intenso e cativante me ganham na música.  Nota: 8/10

2. Stonehenge: um instrumental muito atmosférico e sombrio que abre espaço pra música mais polêmica e controversa da discografia do Black Sabbath. Nota: 7/10

3. Disturbing the Priest: começando com risadas diabólicas e notas muito altas de Ian Gillan entra a música que fala sobre temas polêmicos, parecendo ser cantado do ponto de vista do Diabo, com ele dizendo que vai levar almas, perseguir crianças, atormentar padres, debochando do crucificamento. Enfim, é uma música com um clima pesado, versos muito fortes, bridge gritado e sombrio com um refrão espetacular que fala sobre um banquete infernal com muito peso e notas altíssimas de Ian Gillan nas intercessões do refrão, termina de forma visceral com alguns dos melhores gritos da carreira de Gillan e é uma música que me agradou muito desde a primeira vez que ouvi, e é um dos pontos altos do disco. Nota: 8.5/10

4. The Dark: mais uma entrada sombria e soturna que abre espaço pro single do disco. Nota: 6.5/10

5. Zero the Hero: com um riff que no futuro seria sem intenção plagiado pelo Guns ‘n’ Roses na música “Paradise City”, tem uma letra sobre alienação e um suposto herói chamado Zero o Herói que veio para acabar com ela, em versos agressivos com abuso de drives da parte Ian Gillan. Os versos são pesados e carregados, culminando em um excelente solo que me ganha pela sua simplicidade e forma direta de ser tocado seguindo até o fim da música. Não posso esquecer de citar também o excelente refrão que cativa com facilidade com os dizeres questionando se alguém vai ser Zero o Herói, segundo o refrão, o verdadeiro herói. Nota: 8.5/10

6. Digital Bitch: uma música de Heavy Metal tradicional que já começa com um ótimo solo conta com uma letra agressiva sobre uma tal de vadia digital, sem explicar muito sobre ela. É a faixa de letra mais rasa do disco e é difícil interpretar, mas o instrumental é legal e o refrão é moderadamente carismático e na segunda vez que é cantado é terminado por um grito rasgado de Ian Gillan. O resultado final é uma música bem genérica e sem brilho que desagrada pela confusão de suas letras e um instrumental aquém da média do Black Sabbath contando como ponto forte os vários gritos de Ian Gillan no fim da música. Nota: 5.5/10

7. Born Again: chegamos ao ponto alto do disco. “Born Again” foi o segundo single lançado pela banda para o álbum e ganhou até um videoclipe. Fala sobre o renascimento do diabo com muita classe em versos inspirados com letra espetacular, muito bem cantados e cheio de drives por Ian Gillan, um riff muito soturno e obscuro e um bridge forte que abre passagem pro intenso refrão onde após gritar duas vezes “nascido novamente” Gillan da um espetacular grito bem longo que ajuda mais ainda no clima negativo da música. Nota: 9/10

8. Hot Line: uma faixa de Hard Rock oriunda de Deep Purple, fala sobre sobre libertação de forma negativa e carregada, com ótimos riffs, uma excelente performance vocal de Ian Gillan e um péssimo refrão. Tem mais muitas notas altas e rasgadas do vocalista e uma quebra rítmica no meio da música que é bem agradável. O solo da música é o melhor do disco e salva a música de ser ruim por exacerbar a técnica de Tony Iommi e Bill Ward. A música se torna cada vez mais gritada com o tempo explodindo em um fim recheado de gritos agudíssimos. Nota: 6/10

9. Keep it Warm: com um excelente riff e ótimos versos falando sobre se libertar das amarras de um amor doentio, tem muito peso, excelente performance vocal de Ian Gillan, um refrão carismático e um excelente solo que aumenta ambas a velocidade e a intensidade da música , é uma faixa simples sem muito o que falar sobre, mas fecha o disco em grande estilo. Nota: 7.5/10

Destaques: “Trashed”, “Disturbing the Priest” e “Zero the Hero”.

Anúncios