O Judas Priest já tinha lançado o álbum Rocka Rolla em 1974 mas ainda não tinha encontrado o seu som padrão e o debut da banda não passou de um disco genérico de Heavy Metal como o de tantas outras bandas que apareceram na época. Foi em 1976 com Sad Wings of Destiny que a banda se encontrou com riffs vigorosos, vocal extremamente agudo e passagens épicas mostrando ao mundo qual seria a forma de fazer Heavy Metal dali para frente. Esse foi o primeiro disco de Metal que eu ouvi por inteiro na vida.

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Título: Sad Wings of Destiny

Ano de Lançamento: 1976

Gênero: Heavy Metal

1. Prelude: um instrumental com piano e baixo com ar sombrio que abre o disco de forma misteriosa. Nota: 9/10

2. Tyrant: uma música veloz com os tradicionais vocais operáticos de Rob Halford, fala sobre a mística criatura Tyrant que tem o poder de comandar multidões, com letra bem direta e sem rodeios. A música tem um instrumental veloz, bridge grudento e refrão carismático, terminando com um excepcional grito final após o último refrão e verso que seguem o solo da música em uma repetição do bridge. É uma faixa em sua essência simples, mas mostra ao que veio com vigor. Nota: 9.5/10

3. Genocide: uma música cantada de forma gritada que fala sobre o genocídio ocorrido na segunda guerra mundial com versos carismáticos e um excelente refrão que marcam uma das faixas mais clássicas do disco. O instrumental é cadenciado e técnico e é a música mais próxima do primeiro trabalho da banda com um solo direto no, curto e pesado remetendo a Black Sabbath que fecha a faixa, antecipado por uma passagem mais veloz onde Rob Halford abusa de vocais agressivos para complementar a sonoridade da música. Nota: 9/10

4. Epitaph: uma linda balada sobre o fim da vida com letra extremamente profunda, versos cheio de carisma, um refrão muito agradável tendo seu pico em uma quebra rítmica onde Halford fala “de uma boa olhada e você dirá que ele é tanto nosso amanhã como nos somos seu ontem”. A delicadeza com que Halford canta a música e sua extrema beleza acompanhada apenas de piano e backing vocal do próprio Halford, terminando com mais um belo conjunto de frases que diz “um túmulo solitário, e brevemente esquecido, apenas o vento e as folhas lamenta sua música, e eles gritaram seu epitáfio claramente para quem quiser: quem está passando perto ele é nomeado a pessoa deitada ali como você” terminando a música com um belo falsete. Preciso dizer mais? Nota: 10/10

5. Island of Domination: uma música pesada, muito cadenciada e gritada que fala sobre os terrores da ilha da dominação com grande estilo, em versos cantados de forma exímia com certa agressividade e em um refrão rasgado que é seguido por um breve solo que abaixa o tom da música pra algo mais puxado para a sonoridade do Black Sabbath onde Halford canta aos gritos os últimos versos lembrando até o estilo do fim da música “Sabbath Bloody Sabbath”, para rapidamente voltar para a velocidade cadenciada anterior terminando em um final afinado mas que não a salva de ser a música menos interessante do disco. Nota: 8.5/10

6. Victim of Changes: disparado a melhor e mais clássica música do disco, “Victim of Changes” é uma aula de Heavy Metal, começando com riffs intensos e eximiamente bem feitos e falando sobre uma prostituta velha e a beira da falência, a música em tom descontraído pra lidar com o assunto a apelidando de mulher do whisky, com versos carregados de notas altas que mostram todo o potencial vocal de Rob Halford em versos curiosos como “de uma olhada a sua volta, ela não está indo a lugar algum, perceba que você está envelhecendo e ninguém parece se importar, você tenta achar seu rumo novamente, você tenta encontrar algo novo, mas outra mulher consegue um homem e você não consegue um novo, tome mais um drinque ou dois, as coisas parecem melhores quando você está bebada” a música é levada com irreverência de muito bom gosto, seguida por uma sessão agressiva e um técnico solo, passando por uma parte lenta que diz que “uma vez ela era incrível, uma vez ela estava bem, uma vez ela era bonita, uma vez ela era minha, mas as mudanças vieram a seu corpo e ela não me parece mais a mesma” terminando com a repetição da palavra “mudanças” até o infame grito do nome da música com uma das notas mais altas que Halford já alcançou, terminando com gritos falando “não” até uma das notas sustentadas por mais tempo da carreira de Halford, é um completo showcase vocal que não decepciona em nada e tem composição perfeita, vocal impecável. Nota: 10/10

7. The Ripper: um dos clássicos absolutos da banda, começa com um belo riff e um vocal obscuro de Rob Halford com um grito altíssimo, seguida com muito peso em seus versos em primeira pessoa vindos de ninguém menos de Jack, o Estripador, o infame assassino que aterrorizou Londres muito tempo atrás. A música tem vários solos e eles são acompanhados de vocalizações de Halford que impõe sua marca com a assustadora letra “em um beco escuro, é onde provavelmente iremos nos encontrar, abaixo de uma lampada de gás, onde o ar é frio e seco, eu sou uma surpresa ruim, sou o diabo em disfarce, eu sou um passo na noite, sou o grito de alguém assustado, escute meu aviso, jamais vire as costas para o estripador” terminando em uma nota alta aguda sustentada por alguns segundos que demonstra o grande poder vocal de Rob Halford. Nota: 10/10

8. Dreamer Deceiver: falando sobre sonhos, essa delicada faixa é cantada com zelo e afinação extrema com letras místicas e belas acompanhadas de um instrumental completamente apropriado com uma passando após algum tempo para uma sessão mais gritada e intensa da música que culmina em versos cantados em notas incrívelmente altas antes de um solo longo com gritos cada vez mais alto terminando em uma abertura para a faixa seguinte. Nota: 9.5/10

9. Deceiver: a continuação mais pesada de “Dreamer Deceiver” tem um riff vicioso e intenso que é acompanhado por vocais agressivos e operáticos com ótimo vibrato, falando sobre a continuação do sonho de seu começo com muito canto agudo da parte de Rob Halford, uma sessão estridente onde ele fala “se você quer nos encontrar com pressa, eu te digo, não se preocupe, eu posso estar aqui hoje e para sempre” antecipado por um breve porém marcante solo, terminando em um tom acústico e belo, fechando o primeiro disco clássico do Priest. Nota: 9/10

Destaques: “Tyrant”, “Epitaph”, “Victim of Changes”, “The Ripper” e “Dreamer Deceiver”.

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