Lançado em Outubro de 2013 pela conceitual empresa Quantic Dream, Beyond: Two Souls foi um sucesso de vendas que dividiu água por seu estilo que se aproxima mais de filme interativo do que necessariamente um game, mas eu vi ele como um game o tempo todo apesar de achar que é um pecado em 12 horas de jogo apenas pouco mais de 5 horas serem jogáveis.

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Título: Beyond: Two Souls

Ano de Lançamento: 2013

Gêneros: Aventura, Drama, Ação

Interessante em sua essência, cheio de pretensiosidade e audacidade, Beyond: Two Souls é um projeto que marca uma abordagem completamente diferente de todas as vistas em jogos até hoje. Seu enredo tem múltiplos caminhos que podem ser seguidos e suas escolhas interferem em quem de seus amigos vive, quem morre e como é o final do jogo. Jodie Holmes é uma inocente garota que nasceu ligada a uma entidade espiritual que à ajuda a viver sua vida livrando-a dos perigos que alguém com seus poderes sofre com a perseguição da polícia federal dos Estados Unidos. Ela passa por maus bocados durante o jogo e sempre acha suporte em personagens terceiros, sendo alguns deles extremamente carismáticos e outros apenas pra ocupar espaço. A atriz Ellen Page que protagonizou o jogo através de uma inovadora forma de captura de movimento com Willem DaFoe, usando um motor gráfico avançado e que empurrou o Playstation 3 ao seu limite, deixando o jogo graficamente lindo e com um perfeito realismo ainda não alcançado na nova geração, fazendo dele um ponto de referência na história dos games teve ótimo funcionamento e atingiu a seu objetivo.

Não é que o jogo te impede de jogar, ele apenas é mais focado em sua própria narrativa de Drama e Aventura do que na jogabilidade de ação que se torna intensa em certos momentos. Você chega a certo ponto a ter que preparar um jantar para um encontro, tamanha seja a profundidade de sua jogabilidade, e isso é bom. As inúmeras e longas cutscenes são um ponto adicional do game que serve para dar rumo a sua narrativa não linear e nela podemos ver o desenvolvimento de paixões de Jodie, sua infância e adolescência, sua luta contra o sobrenatural, contra a fome e o frio, chegando a fazer um parto em um dos momentos mais emocionantes de todo o game.

Esses elementos não só o fazem chegar perto de ser uma obra prima na história dos games, mas também faz dele um marco criador de um novo gênero com múltiplos finais e alto nível de re-jogabilidade, estendendo bem mais a sua mediana duração. Como ponto negativo o game dividiu águas porque muitas pessoas na época do lançamento se sentiram pagando um valor alto por um trabalho que mostra uma abordagem de game interativo, limitando o jogador a certas ações que podem ser escolhidas na falta de um mundo aberto em uma história extremamente linear e que não tem o mesmo poder da obra prima da produtora, Heavy Rain (2010) que segue um objetivo parecido mas tem muito mais liberdade para o jogador e finais que se diferem extremamente uns dos outros. Superando bravamente Beyond: Two Souls em ambas jogabilidade e história, mas tudo isso se torna um pouco irrelevante quando o trabalho final se mostra de qualidade e a emoção que ele passa fala mais alto que as suas limitações. A surpresa final é extraordinária e da sentido a relação entre Jodie e a entidade Aiden, mostrando uma visão diferente do espiritismo com toques delicados e grande estilo.

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