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Capa_Uganga_Opressor

  • Primeiramente quero agradece-los e agradecer a assessoria Som do Darma por conceder essa entrevista.

Manu: A gente que agradece pelo espaço e apoio ao cenário independente. Esse tipo de iniciativa é totalmente necessário pra movimentar essa cena alternativa/underground.

  • De onde surgiu o nome Uganga?

Manu: No começo nos chamávamos Ganga Zumba. Dessa fase só eu fiquei. Por volta de 99 descobrimos que havia outro grupo detentor desse nome e resolvemos mudar para algo que não fosse tão diferente, dai veio Uganga. Não significa nada, mas remete a como o pessoal se referia a nossa banda “O Ganga”. É meio bizarro mas é isso (risos). Depois descobrimos que a Deusa do Rio Ganges na Índia se chama Ganga, mas confesso que na época não sabíamos disso (risos).

  • Quais são as principais influências da banda?

Manu: Cada um tem uma influência específica, temos gostos bastante variados, mas bandas de Thrash Metal, Rock mais antigo , Punk Hardcore e bandas que fundem estilos tipo Helmet, Biohazard, Faith No More, podem ser citadas como unanimidade nos gostos e parte das nossas raízes musicais.

Marco: Todos da banda ouvem muitos estilos diferentes. Black Music, Reggae, Dub, Ska, Hip Hop… além de Metal, Hardcore e Thrash. E dessa mistura a gente acaba conseguindo criar uma identidade própria, com base no Thrash & Hardcore mas sem esquecer outras referências que acabam nos influenciando, musicalmente.

Manu: É por ai. Eu sou criado no metal extremo e no Punk/Hardcore mas com o tempo fui assimilando outras coisas a essa base. Creio isso acontece com todos nós.

  • Faith No More? Botei fé, é talvez minha banda favorita.

Manu: Acho que essa deve ser a maior unanimidade no Uganga, Faith No More é foda!

  • E de você como vocalista?

Manu: Posso citar alguns que admiro bastante e me inspiro como o mestre Lemmy Kilmister, o próprio Mike Patton do Faith No More, Max Cavalera, Scott Weiland do Stone Temple Pilots… Gosto de vocalistas que tenham assinatura. Cronos do Venom com certeza! O Wattie do Exploited e vários outros da cena Hardcore também são uma enorme influência assim como alguns rappers da velha escola.

  • Qual a formação atual da banda?

Marco: Atualmente contamos com 6 integrantes: – Manu: Vocal – Christian Franco: Guitarra – Thiago Soraggi: Guitarra – Murcego Gonzales: Guitarra – Ras Franco: Baixo – Marco Henriques: Bateria

Manu: O Murcego entrou a pouco, o próximo album será o primeiro com 3 guitarras.

TK Leo: Poxa, que legal.

Manu: A entrada do sexto integrante, Murcego, se deu em um período na banda em que o Christian estava fazendo um tratamento de saúde e ficou afastado dos palcos. Nesse meio tempo o Murcego entrou para substituí-lo. E quando o Christian voltou, fizemos alguns ensaios com as 3 guitarras, gostamos do resultado e resolvemos seguir assim, com esse paredão de cordas. O Murcego tem uma formação mais de Classic Rock, Deep Purple, Sabbath etc e isso será sentido na nossa sonoridade. Não queremos encher nossa música de guitarras, mas sim trabalhar as três de maneira a jogarem em função da composição. Creio que estamos conseguindo. Além disso ele também compõe e fez uma dupla legal com o Ras no backing vocals. Enfim, foi uma casualidade que não estava nos planos mas está rolando muito bem.

  • Opressor é um álbum muito denso, quanto tempo ele levou pra ser composto e gravado?

Manu: A fase de composição e pré durou 2 anos, pra gravar foi rápido, creio que 2 meses. Quanto melhor for feita a fase de pré-produção menos tempo se gasta em estúdio. Essa é a nossa lógica de trabalho. É necessário uma certa imersão para que isso saia a contento e hoje em dia nossa maneira de trabalho, com funções bem definidas facilita em muito as coisas.

Marco: Sempre buscamos fazer uma pré-produção bem detalhada, com ensaios de cordas, ensaios desplugados… Buscando trabalhar ao máximo as composições. E isso faz uma diferença tremenda no resultado final.

  • A arte é caprichada e muito original, quem fez?

Manu: Foi um artista de BH chamado Beto Andrade. Conversamos sobre o conceito e ele foi muito feliz no resultado. O encarte ficou com o Marco que já fez outras capas do Uganga. Acho que o trabalho dos dois casou perfeitamente.

  • Eu notei que há um balanço entre faixas mais rápidas e faixas mais cadenciadas, essa diversidade foi proposital?

Manu: Não diria proposital mas sim natural. Não somos uma banda que se apoia somente em velocidade e extremismo, gostamos de criar várias texturas musicais e isso vem, como falamos acima, das nossas influências variadas. Partes rápidas são legais, assim como as lentas e extremamente pesadas e outras mais leves e experimentais. Isso tudo é parte da sonoridade do Uganga.

Marco: Sim, acho que isso acaba sendo um reflexo das diferentes influências que temos, e que se mostram na hora de compor.

  • Você tem um vocal forte e impositor. Ele é fruto de muitos exercícios vocais e cuidados ou você não se importa muito com essas coisas?

Manu: Eu me importo sim. Não sou nenhum virtuose então preciso me dedicar pra estar em cima e fazer o que é preciso. Faço alguns exercícios e tenho uma fonoaudióloga que me ajuda nessa parte. Estrada é pesado e você precisa estar sempre bem preparado, levamos isso muito a sério no Uganga. Evitar excessos também ajuda.

  • Guerra já começa o disco de forma empolgante, com ótimos riffs e uma letra bem agressiva. Ela foi logo de cara escolhida pra já abrir o álbum de forma contagiante?

Manu: Guerra é um tema forte, uma faixa bem direta e com muito da nossa pegada Punk/Hardcore. Acho que foi uma escolha acertada pra abrir o álbum. É tipo a nossa infantaria (risos).

Marco: É uma faixa que tem velocidade, tem solos, tem partes com mais groove… Com certeza foi uma boa escolha pra abrir o álbum. Mostra um pouco da variedade que se encontra no decorrer do álbum.

  • O álbum conta com alguns interlúdios curtinhos que abrem pra outras faixas, eles foram idealizados por quem?

Manu: Essas vinhetas são parte do nosso trabalho desde as demos , dão uma certa ligação as faixas. Geralmente eu cuido dessa parte junto com nosso parceiro Eremita.

  • Casa tem os melhores riffs do disco. O instrumental dela foi composto por quem?

Manu: Nós trabalhamos de maneira bastante unida na parte de composições, no final todas as músicas são frutos de um trabalho coletivo mesmo que comece com um ou dois integrantes. Essa em especial se não me engano começou com um riff do Christian que trabalhamos juntos na sala de ensaio. Uma coisa que sempre fazemos é um boneco inicial do som, na maioria dos casos quando a banda se reune já tem uma ideia sendo desenvolvida mas que vai muito além depois que os 6 colocam a mão. Não somos uma banda de jam sessions para compor. Até rola mas não é comum.

  • Modus Vivendi é pra mim, a faixa mais cativante do disco. Ela tem uma excelente letra e um instrumental caprichado. Como foi o processo de composição dela?

Manu: Essa por coincidência foi a que saiu de uma jam session com a banda toda (risos)!

  • Nas Entranhas do Sol é a melhor música do trabalho na minha opinião. Ela chama atenção especialmente pelo vocal bem característico da banda. Vocês tem uma faixa favorita em todo o disco?

Marco: Acho que a cada época uma se torna a preferida (risos). Mas particularmente uma faixa que sempre achei entre as melhores do disco é O Campo. A letra é fantástica, o instrumental tem groove, tem velocidade, tem um peso meio Doom no final… Sem dúvidas pra mim é uma das melhores do disco.

Manu: Eu sinceramente não sei, isso varia… Mas concordo que Nas Entranhas do Sol é um dos destaques do album. No geral gosto de tudo que fizemos no “Opressor”, e na minha carreira musical que já tem três décadas é a primeira vez que isso acontece.

  • Perdão por perguntar Manu, mas qual é a sua idade? Que estrada, hein?

Manu: Tenho 44, sou o ancião das banda (risos). Engraçado é que quando formamos o Uganga eu era um dos mais novos. Com certeza não são todos que conseguem seguir nesse caminho tortuoso do rock’n’roll (risos).

  • O cover da banda Vulcano, Who Are the True, conta com participações especiais e soa até um pouco melhor que a original, exceto pelo Inglês talvez. Qual a conexão de vocês com os pioneiros do Thrash Metal nacional Metal Nacional?

Manu: Eu sou fã do Vulcano desde o primeiro album dos caras, o mítico Live. Todos no Uganga curtem e somos amigos, as bandas se respeitam. E na real esse som é foda! A conexão vem desde o início. Pra falar a verdade o show que eles gravaram o Live foi aberto por uma banda daqui de Araguari chamada Reticências. Uma banda foda que infelizmente acabou sem deixar material registrado. Sem falar que a letra é de 89 (se não me engano) e continua totalmente atual. Quem é o real? Quem é o verdadeiro?

  • Vocês são uma das poucas bandas que ouvi desde que comecei o blog em Outubro do ano  passado que cantam em Português e eu aclamei. Como alcançaram tamanha qualidade no disco Opressor? Vocês acompanham a recepção dos álbuns na web?

Marco: Sim, sempre estamos acompanhando as resenhas dos álbuns, shows… Temos uma assessoria de Imprensa que cuida muito bem dessa parte, não só enviando nosso material para uma enorme quantidade de mídias, mas também acompanhando e nos apresentando o retorno, onde saiu, quem esta falando da banda.

Manu: Acho que a referida qualidade vem da dedicação da banda. Foi como disse uma pré muito bem feita, as músicas só ficam prontas quando convencem a todos nós , tanto instrumental quanto letras, e ao meu ver o resultado positivo se deve a isso. Cantar em português é parte da nossa identidade e seguiremos assim.

Marco: Nada melhor que ver o público, na frente do palco, cantando as letras e realmente se identificando com isso. E essa identificação com certeza acaba sendo muito maior com letras em português.

Manu: Até temos idéia de gravar um som em inglês ou espanhol no próximo album, mas será algo pontual. E prometo me esforçar mais na pronúncia (risos).

  • Que outras bandas do cenário nacional atual que vocês e os outros membros admiram?

Marco: Hellbenders, Muñoz, Lava Divers, Canábicos, Desalmado, Ratos de Porão, Sepultura (Eloy deu gás na banda, disco novo tá demais!), Dead Fish…

Manu: Gosto de muita coisa das antigas e atual. Citaria Dorsal Atlântica, Sepultura, Pavilhão 9, John No Arms, Seu Juvenal, Vulcano, Holocausto, Lobotomia, Garotos Podres, Racionais MC’s, Psychic Possessor, Paura…

  • Pra quando é esperado o lançamento do próximo disco?

Marco: Já estamos na fase de pré-produção. Temos um show em Uberlândia e depois uma tour no Nordeste. Depois disso vamos focar 100% pra acabar a pré, e provavelmente no começo do ano a gente entre em estúdio. A idéia é lançar o disco no segundo semestre de 2017.

Manu: Antes do novo album vamos lançar nosso primeiro DVD que já está sendo finalizado. Esse material deve ficar pronto ainda no primeiro semestre de 2017 e está ficando bem interessante.

  • Deixem um recado para os seus fãs tupiniquins que seguem fervorosamente o trabalho da banda.

Manu: Agradeço a todos que nos apoiam seja divulgando nosso trabalho, colando nos shows ou comprando nosso material. Nos vemos na estrada!

Marco: Um grande salve a todos que acompanham a banda nesses quase 20 anos de estrada, e a você, mais uma vez, pelo espaço e apoio ao cenário independente.

  • Onde os fãs podem adquirir o material da banda?

Manu: Todo nosso material pode ser comprado no site da Incêndio: incendioshop.com.br ou na nossa loja virtual em www.uganga.com.br, e com certeza nos shows.

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