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5

Vampirismo inocente.

Copiado cena a cena por seu remake americano, esse filme sueco dirigido por Tomas Alfredson é o melhor filme de Terror dentre os anos 2001 e 2009, e meio de longe viu. Ele trata com delicadeza e inocência a história de uma menina vampira chamada Eli (Lina Leandersson) e como ela lida com essa “doença” na pré-adolescência, além de viver um lindo romance muito inocente com o seu vizinho, Oskar (Kåre Hedebrant). Com efeitos especiais mais modestos, porém mais realistas e que dão um clima mais cru à trama, tenho enorme preferência por esse filme em relação ao remake. É uma história cheia de frescor, original e nunca antes vista, e que mescla Terror e Drama em doses equivalentes e cavalares em um clima único e intimista, que nos convida a vermos de perto esse conturbado namorico. O roteiro é escrito de forma exímia e os personagens são todos cativantes, apesar do tom triste e mórbido do filme. É uma aproximação estranha, porém legal, que não me deixou confortável no sofá um minuto, ansiado por o que há por vir. Ao contrário do remake, esse filme não usa CGI pra dar movimentos à jovem atriz, mas sim muita maquiagem e uma edição perfeita, que pega pesado no pós-processamento e dá show com a excelência técnica, com cenas verdadeiramente angustiantes e mais realistas que as de qualquer filme de vampiros feito até hoje. A sintonia entre os dois protagonistas é contagiante, e vemos um amor brotar dali aos poucos, em sua mais pura forma. Isso é lidado com expertise pela produção e o resultado é um filme lindo, apesar de muito violento, e que tem muito a oferecer pra todos os públicos por sua filosófica viagem emocional cheia de carisma e que não faz feio se comparado a qualquer clássico do gênero, ficando pau a pau com Dracula de Bram Stoker (1992), do mestre do cinema Francis Ford Coppola, em qualidade. Se você busca por um filme de Terror que assusta, mas é agradável e não apela em nenhum momento pra sustos superficiais e apelativos, entregando uma história profunda de Terror de verdade mesmo e que enriquece o espectador após o fim da projeção, esse filme é pra você. Já se você tem repulsa a histórias dramáticas e tristes, e não gosta de finais ambíguos, esse filme vai ser uma pedra no seu sapato, que vai trazer mais emoção do que você está disposto a digerir e talvez até ache o absurdo de que Deixe Ela Entrar é leve demais.

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