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Experimentalismo em evidência.

No álbum mais complexo de sua carreira, David Bowie lançou Blackstar, estilizado como ☆, um disco perfeito em todos os aspectos que transcende a música contemporânea com um experimentalismo nunca visto antes e que enriquece a cultura daqueles que o ouvem, com instrumentais pouco usuais, efeitos vocais, saxofone e muito Art Rock. O disco é aberto com a estarrecedora faixa título, “Blackstar”, que já da início ao disco com tudo, mostrando um lado mais místico de David Bowie e com uma complexidade extrema em seus mais de nove minutos de duração, que me deixou deliciado com sua progressividade, letras e melodias. “’Tis a Pity She Was a Whore” da sequência ao disco com uma abordagem mais direta, acompanhada de uma performance vocal cheia de finesse e bem construída, contando com belos solos de saxofone de fundo. “Lazarus” é o single do disco, e surpreendentemente seu melhor momento, com mais experimentalismo, violinos, uma batida calma, intercessões pesadas e um refrão chiclete, mas diferente de tudo o que eu já ouvi. “Sue (Or in a Season of Crime)” é uma música mais veloz e empolgante, com um arranjo relativamente pesado, um excelente riff base e trechos onde tudo muda após o refrão por alguns segundos, mais uma vez ressaltando a complexidade dos trabalhos de Bowie. “Girl Loves Me” é uma música bem direta, e talvez a gravação menos interessante do trabalho, talvez pela melodia vocal mais aguda, que pode causar estranheza, mas passa muito longe de ser uma música ruim. Só é estranha e diferente, e com uma performance vocal que me desagradou um pouco. “Dollar Days” remete aos anos de ouro de Alladin Sane (1973), onde tudo era mais simples e o Glam Rock dominava a sonoridade de David Bowie. Bons tempos que não voltam mais mas ainda trazem nostalgia com um Bowie capaz de causa-la sem descer do salto na grandiosidade de seus trabalhos atuais. “I Can’t Give Everything Away” é no mínimo épica. Ela tem um excelente trabalho na bateria, uma inspiradora interpretação de Bowie, mais sax e efeitos sonoros agradáveis, além de um solo matador que acompanha o refrão no fim da música, cheio de energia e virtuosismo, fechando o disco com chave de ouro.

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