Sepultura-Machine-Messiah-600x600

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O Sepultura de Derrick Green vem melhorando a cada disco e se tornando mais complexo e poderoso, para o ódio dos irmãos Cavalera. Nesta nova empreitada eles enchem de elementos brasileiros as músicas remetendo ao álbum Roots (1996), mas com qualidade incomparavelmente maior. Isso é visto em faixas como o complexo solo “Iceberg Dances” que tem uns batuques em meio à pancadaria que me encheram de orgulho de Eloy Casagrande, mestre da percussão que usa esse disco de showcase para toda a sua enorme habilidade em misturar gêneros em sua extraordinária forma de tocar. São muitas as quebras rítmicas de “Iceberg Dances” e é uma música fascinante e que se destaca. Também é interessante notar que na faixa título Derrick Green canta com vocal ameno, ao contrário do usual gritado e rasgado. Aliás, nem sei bem se é ele, mas é muito parecido com o tom de voz natural dele. Isso dá um belo contraste no som dos caras e mostra o aperfeiçoamento musical que eles vem adquirindo com os anos nessa formação. Já para os riff-maníacos posso indicar “Resistant Parasites”, uma música que mistura Groove Metal a Doom Metal e por vezes lembra o jeito de fazer riffs de Tony Iommi, sem fazer comparações, é claro. Black Sabbath sem dúvidas está entre as influências dos caras. “Silent Violence” é uma música de Thrash Metal que em momentos beira o Speed Metal de tão intensa que é a sua pegada, e Casagrande novamente é destaque absoluto com quebras rítmicas inacreditáveis. Desde que começaram a lançar seus álbuns pela gigante Nuclear Blast, que só perde pra Roadrunner Records no segmento, a banda parece que vem se profissionalizando em voltar a fazer Metal original e isso é show de bola. O esforço dos caras tem reconhecimento aqui no TK Reviews e eu os agradeço por ainda existirem e lançarem um dos melhores álbuns do ano até então. O único pesar é a última faixa, “Cyber God”, que apesar de ganhar pontos pelo experimentalismo é muito similar ao som que outras bandas do gênero vem fazendo nos últimos tempos, e isso custa um ponto por uma completa falta de originalidade. Mas é só uma derrapada. O disco é do caralho e é recomendado à todos os Metalheads que estão preparados para algo diferente.

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