Capa do CD

6

Quem diria que um dia eu estaria fazendo um review de uma banda que vem da minha terrinha, o Mato Grosso do Sul. Os Douradenses do Misbehaviour (nome que não me é estranho) fazem Heavy Metal, e fazem com gosto. Mas ainda falta algo no som deles para atingirem a excelência que eu não pude identificar. O tom do baixo está ideal, os riffs são contagiantes e velozes, a bateria parece se repetir em algumas músicas mas também é boa e o vocal é a cereja do bolo. Então porque o meu receio? Por mais insignificante que possa parecer a minha opinião eu sinto que eu devo dar uma nota moderada pro disco como incentivo para que eles evoluam musicalmente e venham a me surpreender no futuro. Do contrário, a nota seria um 8/10.

Falando das faixas, temos variedade aqui. Exceto pelas linhas de bateria nada se repete, o que é bom, lógico. Eles arrumam tempo até para colocar uma semi-balada no mix do disco. Ela é intitulada “I’m Tired”, que tem uma aproximação mais melódica, com belos riffs de violão e vocal de pé de ouvido, é um dos pontos altos do disco pela autenticidade e coragem de uma possível retaliação do bitolado público Metalhead. Mas a música não é apenas audácia. Ela tem uma ótima letra, uma quebra rítmica que muda tudo e um solo memorável. “Angel” por sua vez exibe expertise nas cordas. Eu amei a linha de baixo que é o centro de toda a música e os solos nas interseções. O vocal rasgado da pessoa que não fui informado o nome casa perfeitamente com o restante do instrumental, mas a música que melhor mostra o potencial mesmo do Misbehaviour é “Play the Game”, uma música completa em todos os sentidos e que ainda conta com um solo fenomenal que não deixa dúvidas que esta banda ainda vai dar muito o que falar.

Quando o Patrick da Sangue Frio Produções me passa algo para análise ele sabe que ele pode esperar sinceridade, e eu falo mesmo se algo não me agradou da forma mais construtiva que eu conseguir. “Age of Zombies” é uma faixa pouca original e que parece perdida dentro de seu próprio estilo, com agressividade excessiva e quebras que não convencem, destoando completamente do clima do restante do álbum que apesar de variado, sempre segue a linha do Heavy Metal tradicional. Foco rapazes, se não deixam o Leo confuso. “Lost in Yourself”, o provável single do disco, é o típico chiclete Pop do qual muitas bandas se rendem em nome do dinheiro. Eu compreendo, de verdade, mas não significa que passa pelas minhas afiadas críticas de blogueiro pseudo-sabichão: é uma música sem vida e arrastada de forma que se torna chata e apenas uma música de preenchimento no disco. Talvez mais peso teria salvo a faixa e ela funcione melhor ao vivo. “Scars” é simplória e me lembra Iced Earth mais do que deveria, mas é uma música consideravelmente agradável e verossímil com a sua proposta.

Por fim quero falar de “Positive and Negative”, a música mais emblemática do disco. Ela representa tudo o que há de certo e errado com a banda, esbanjando excessos e muito barulhenta, mas com uma boa performance vocal, um solo lindo e a bateria se destacando em momento quase inédito no álbum. É uma música de duas faces, a positiva e a negativa, e o nome vem a calhar. O começo parece até um Europop britânico que da um belo susto, aquele susto que as pessoas levaram nos anos 80 ao ouvir “Jump” do Van Halen pela primeira vez. Mas é apenas uma fachada para a música em si, que é bem mais atmosférica e profunda que sua criativa, porém mal colocada entrada. Talvez se o Europop entrasse no meio da música, antes do solo, daria uma progressividade para a música que surpreenderia muito positivamente, mas é isso, espero que tenham gostado desse review caprichado, um abraço bem forte e volte sempre.

Para adquirir este álbum você pode entrar em contato pela página do Facebook oficial da banda.

Anúncios